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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Dâmaso

Carrilho e o futuro

Manuel Maria Carrilho não é amado no PS. Basta lembrar os assobios que levou num dos congressos do fim do guterrismo ou as guerras que abriu, a torto e a direito, não olhando a quem.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 10 de Outubro de 2010 às 00:30

Numa primeira fase da sua estreia política, apesar de ser um bom ministro da Cultura, não foi feliz. Mostrou uma vontade excessiva de agradar a quem mandava no partido e no Governo. Ficou desse tempo o famoso e imprudente ataque a Marcelo Rebelo de Sousa, chamando-lhe "geleia política". Mas com o tempo foi afinando o tiro.

Depois, apostou na Câmara de Lisboa e perdeu. Pior: desistiu do combate e fechou os olhos a alianças espúrias entre o pior do aparelho do PS e o PSD que mandava na autarquia. Agora, regressa de novo e em forma. Foi corrido do lugar de embaixador da Unesco mas tem a razão do lado dele. Opôs-se a um episódio de realpolitik em que o Governo queria alinhar e ganhou a coerência dos valores e dos princípios da decência. Regressa cheio de força para participar na vida interna do PS, e tudo o que tem dito sobre a anemia socialista é a mais pura verdade. Tudo o que tem dito sobre falta de debate e culto do chefe acerta na mouche. Vai ser um caso sério a fazer mossa no debate mediático sobre o PS e Sócrates. Vale pouco no aparelho socialista, mas muito em certos sectores da sociedade. Isso pode ajudar a enraizar a ideia de que Sócrates está gasto. Ajudando, claro, a abrir caminho a outros!

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