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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Agosto de 2004 às 00:00
Em linhas gerais, na tentativa de minorar o impacto de tal decisão, a Comissão propõe aos produtores uma compensação parcial pela redução dos preços à produção, através do pagamento de uma ajuda desligada. Mas propõe também a transferência de quotas e a deslocalização da produção de uns países para outros e ainda um apoio financeiro para as fábricas que optem pelo encerramento. A aplicação destas alterações será feita ao longo de três anos, a começar já na campanha de 2005.
Sendo o actual regime válido até 1 de Julho de 2006, consideramos que se deve aguardar pelos desenvolvimentos das negociações agrícolas no âmbito da OMC, antes de se definir o novo quadro regulamentar para o sector do açúcar. Por outro lado, não é aceitável que, estando a Comissão em final de mandato, venha nesta altura apresentar uma proposta com consequências tão negativas para tantos Estados- -Membros (dez), em particular para Portugal, onde a adesão dos produtores tem sido grande e sustentada em progressivas melhorias de produtividade.
Considerando a convergência de esforços dos diversos agentes económicos, que tornou possível o desenvolvimento deste projecto agro-industrial, é imprescindível assegurar condições favoráveis à continuação da actividade produtiva.
Esta é uma reforma de consequências violentas que provocarão o encerramento de fábricas e a concentração da produção num número reduzido de países. Mais violento é saber-se que a Comissão está perfeitamente consciente do impacto negativo da medida que está a tomar. No que respeita ao nosso país, ameaça-se um investimento com fundos comunitários, considerado estratégico, que permitiu a Portugal deixar de ser totalmente dependente de outros países para o abastecimento de açúcar.
Não se percebe esta cegueira da Comissão, que deveria mostrar alguma sensibilidade por Portugal conseguir produzir a quantidade mínima de beterraba para a fábrica funcionar. Ou seja, primeiro apoiou a construção da fábrica e agora quer fomentar o abandono da cultura e o próprio encerramento dessa mesma fábrica. Algo vai mal quando a mais alta instância europeia toma este tipo de decisões.
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