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Correio da Manhã

Opinião
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8 de Março de 2003 às 00:19
les aí estão por toda a Europa. Vêm em magotes, hospedam-se nos melhores hotéis, frequentam os restaurantes mais caros, consomem tudo o que os seus antepassados não conseguiram consumir de Estaline a Gorbachev. Entram nas lojas de moda – Cavali, Gucci, Armani, Dior, Vuiton – e muito discretamente os empregados fecham as portas para atender, em exclusivo, suas excelências, os russos. Os guarda-costas bem musculados carregam sacos e sacos de roupas que valem muitos milhares de euros. As casas de electrodomésticos e equipamentos electrónicos não escapam a esta fúria consumista. Nas ourivesarias há sempre pelo menos uma pessoa que fala fluentemente russo. As jóias mais chamativas, barrocas, carregadas de diamantes são as preferidas. Mas nada lhes escapa. Eles conhecem as principais referências da alta joalharia. Estão actualizados. Chaumet, Van Cleef e Arples, Cartier… O "frissom" não é diferente nas grandes relojoarias. Eles compram tudo… "e não deixam nada". Rolex, Patek Philipe, Constantin, Breguet… Escolhem os modelos mais impositivos aos olhos de quem passa. Estes russos deslocam-se em grupo. Fazem lembrar, com mais ruído e menos discrição, os japoneses em Paris ou os árabes que rumavam às grandes capitais europeias no tempo em que o petróleo jorrava sem controlo e o ambiente estava mais desanuviado. Estes russos gastam rios de dinheiro com o ar mais descontraído do mundo. Já são para aí dois ou três milhões. Um número insignificante quando comparado com a população russa. Mas a verdade é que são suficientes para neste momento dinamizar a economia de alguns países da comunidade. As grandes estâncias de Inverno, sobretudo as mais cosmopolitas, estão cheias de russos. Eles vêm esquiar nos lugares mais "in" da Europa. No entanto, quando se ruma para o hemisfério sul também são eles que dão nas vistas.

Brasil, Maurícias e outros paraísos tropicais. Lentamente, nos últimos anos, invadiram as Caraíbas e hoje não há uma ilha sem uma "expedição" russa, quando o sol aquece. Dizem-se as coisas mais variadas sobre estas vagas de russos. São os novos ricos de um país cheio de contrastes mas onde já se ganha muito dinheiro, dizem uns, são máfias que andam nos circuitos da droga e das armas, dos antiquários, dos ficheiros secretos, dizem outros. É um facto que o dinheiro para estes russos tem uma importância nula. O meu pai diria – " parece-me que não lhes custou a ganhar". Mas o que mais me impressiona em tudo isto é que estes russos não chegaram a Portugal. O Algarve, o melhor sol da Europa, o golfe, a gastronomia não conseguiram até agora atrair as atenções desta gente. A França, a Itália e tantos outros países, sobretudo nestes tempos de crise, esfregam as mãos de contentamento com a chegada dos russos. "Mexem-se" para atrair esta gente endinheirada. E Portugal que faz? Que eu saiba, nada.

Portugal "mora" atrás do sol posto e está quase em estado de inanição. Estes russos ainda não sabem onde fica o nosso País. Ninguém os informou.
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