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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Dezembro de 2011 às 01:00

Na sua fúria ideológica de destruição do Estado, os gurus de Passos Coelho eliminaram as golden-shares na EDP e na Galp, escondendo o facto de que em pelo menos nove países da União Europeia, entre os quais a Alemanha, a França e o Reino Unido, subsistem direitos especiais em áreas empresariais consideradas estratégicas. Estranha-se o silêncio do Governo na defesa do interesse público essencial para se ver se a lei é a sério ou só para fingir que se ouve o PS.

A questão é decisiva quando o Governo vai explicar no Parlamento o maior processo de nacionalização da banca desde Vasco Gonçalves e tem de decidir a quem vende a participação do Estado na EDP. Ambos os casos serão testes para os limites do voluntarismo ideológico da maioria confrontado com a crise global do capitalismo impulsionada pela selvática desregulação dos mercados financeiros.

A banca portuguesa é um anão no processo de salvação pelos contribuintes que levou à intervenção dos Estados em bancos ingleses, holandeses ou franceses.

Será uma boa notícia a desnecessidade de usar os 12 milhões do pacote de resgate destinado pela troika, mas é de um absurdo masoquista a falta de sentido crítico que permite aos nossos especialistas em bitaites económicos achar normal a intervenção do Governo de Cameron para permitir o regresso de Horta Osório ao nacionalizado Lloyds mas achar que em Portugal o Estado tem de entrar no capital da banca e fazer de morto.

Só faltava o choque elétrico de a EDP ser nacionalizada por empresas públicas brasileiras ou chinesas para glória do príncipe da gestão privada de monopólios naturais que é o ex-ministro António Mexia.

Opinião segundo as regras do Acordo Ortográfico

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