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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Dâmaso

'Cidade da Propina'

Em português mais canoro, à brasileira, podemos chamar-lhe ‘cidade da propina’. Os italianos chamam-lhe ‘tangentopoli’. Por cá, são as vulgares ‘luvas’. Basicamente é disso que nos fala a ‘Operação Face Oculta’.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 29 de Outubro de 2009 às 00:30

O cocktail que nos foi mostrado ontem, salvaguardando a devida e sagrada presunção de inocência, é explosivo e remete para o pior cancro que está a corroer a democracia representativa: empresas directa ou indirectamente públicas associadas a negociatas, neste caso sintomaticamente de tratamento de resíduos (lixos...).

A ‘Face Oculta’ desperta por isso os piores temores sobre o estado de saúde da democracia. É uma bela prova de independência e coragem da justiça – Polícia Judiciária, Ministério Público e magistratura judicial. É um sinal muito forte de que ainda é possível decidir e actuar sem ter medo da própria sombra. Há muitos outros exemplos que todos os dias defendem a integridade da investigação criminal. Mas o simples facto de louvarmos isso significa a consciência de que nem sempre as coisas têm sido assim. Como sabemos aliás no ‘Apito Dourado’ e em outros casos em que ocorreram afastamentos de investigadores. Está portanto na hora de regressar a um mais saudável relacionamento entre poder político e judicial: separação pura e simples!

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