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Correio da Manhã

Opinião
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8 de Julho de 2003 às 00:00
Em casos destes há sempre duas versões e mais uma vez o quase ditado não desmerece: a PSP diz que disparou para se defender, a família do jovem garante que a PSP disparou a matar. Na verdade, um agente da PSP pode fazer uso da arma de serviço sempre que sentir a sua vida em risco ou a de terceiros – o que justificaria, à partida, os disparos feitos pelos agentes, uma vez que, segundo a versão policial, o condutor em fuga lançou o carro contra o dispositivo policial.
Mas o que já não se percebe é a exigência tantas vezes referida de que o agente tem que saber visar os pneus. Imagine-se o ambiente: estamos num bairro problemático, são 23h00, o local não tem iluminação, um carro em fuga tenta atropelar os agentes, há confusão, e no meio disto tudo qualquer agente tem que ter capacidade para abrir fogo e apontar – só – aos pneus. Quem acredita nisto?
Não sou atreito ao manejo de armas, mas algo me diz que nenhum agente de uma vulgar esquadra tem capacidade para, nas condições referidas, visar os pneus – a não ser num tiro de sorte. Talvez fosse bom então encontrar outros meios que permitam imobilizar viaturas, reduzindo a necessidade do recurso à arma de fogo – o que faltou no Bairro da Torre.
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