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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Junho de 2009 às 09:00

O PS estava mudo, calado e certinho atrás do líder, o Bloco ia fazendo das suas mas já sem o glamour de outros tempos, e o PCP era o mesmo de sempre, rezingão e maldisposto. A política parecia estagnada, e tudo se resumia a um mal-estar generalizado na sociedade e no país, com manifestações de corporações e alguma berraria televisiva, mas sem que essa onda conseguisse desaguar no sistema partidário.

Agora, tudo se alterou. De um dia para o outro o sistema de partidos recuperou a sua capacidade de exprimir o sentimento dos portugueses. E isso significa que a política voltou a entrar nas nossas vidas. Os meses que se seguem até às eleições vão ser meses muito politizados, onde vamos discutir os líderes, os estilos, as políticas e as alianças. À direita e à esquerda, tudo está em aberto, o que significa também que o sistema partidário está aberto para ouvir a sociedade.

Ainda ontem, Sócrates revelou pela primeira vez que está disponível para "procurar soluções governativas", uma enorme mudança estratégia que abre espaço a uma multiplicidade de soluções possíveis. Embora ninguém acredite que o PS faça coligações pré-eleitorais, o que estas palavras demonstram é a disponibilidade do PS para pensar em todos os cenários. Aliás, o PS é o único partido português que pode pensar em coligar-se com qualquer um dos outros. Do CDS-PP ao PCP, passando pelo PSD ou pelo BE, teoricamente o PS pode aliar-se todos.

Já ao centro-direita há menos possibilidades. Embora, como disse Marcelo, Portas possa andar em "dois carrinhos", aliando-se ou ao PSD ou ao PS, uma aliança pós-eleitoral com Sócrates será sempre menos natural. Se Sócrates for derrotado em Outubro, dificilmente o PS aceitará formar governo à sua direita, pois ficará provado, como diz Alegre, que foi por ter virado à direita que perdeu. Portanto, não faz muito sentido apostar nesse cavalo, e era bem mais inteligente que CDS e PSD procurassem um entendimento antes das eleições. Coligação e já era a forma mais rápida de o centro-direita voltar ao governo.

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