Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
8
23 de Agosto de 2004 às 00:00
É como assistir ao um concerto simultâneo de Caetano Veloso no palco, os U2 a tocar na coxia e a Mariza a fadistar do balcão. Na verdade, é melhor do que isso porque no estádio os artistas não se atrapalham. Comparação certa é com uma mesa de iguarias chinesas que roda e onde se debica ao nosso prazer.
No salto em altura tínhamos o sueco Stefan Holm, a melhor marca do ano, no triplo, o brasileiro Jadel Gregório e nas barreiras, a americana Joanna Hayes. Então para quem olhar? Os três passos-salto, três passos-salto das barreiristas? Ou o apelo às palmas dos voadores sobre a areia?... Ainda por cima, os écrans gigantes davam-nos uma final de mulheres maratonistas a acabar em ‘sprint’.
E, depois, além dos prodígios dos saltos e da velocidade, as emoções, as curiosidades... Ele é a Gail Devers, que já tinha sido afastada da final dos 100 metros, a apostar nas barreiras e cair logo na primeira. Ela sentada, impotente, derrotada, a ver, sob as traves das barreiras, prosseguir o que ela falhou. Ele é o grande plano da Deena Kastor a conseguir o bronze no meio de um choro convulsivo (não acabar e chorar, mas chorar enquanto acabava). E no salto, um Hemingway, neto de um primo do Ernest, que voava para o Olimpo como o outro para o Nobel.
Parem, estou empanturrado. Por favor, não parem, quero mais e mais destas maravilhas. E é então que a grega Fani Halkia bate o recorde olímpico dos 400m barreiras numa meia-final! Já viram um estádio inteiro como que dopado?
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)