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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Manuel Catarino

Como Pilatos

Não é sensato nem justo deixar os polícias entregues à sorte quando as coisas correm mal .

Manuel Catarino 10 de Outubro de 2013 às 02:34

É conveniente que os polícias pensem três vezes antes de sacarem das armas – e outras tantas vezes antes de premirem o gatilho.

O guarda José Pinto, provavelmente, não seguiu esta regra. Em agosto de 2010, confrontado com um grupo dedicado ao roubo de cobre, na zona de Porto de Mós, empunhou a arma de serviço – e fez fogo. Matou um ladrão em fuga. O Ministério Público acusou-o de homicídio. O guarda, apesar de ter cometido em serviço o crime de que era acusado, respondeu em juízo sem apoio jurídico da GNR. Pagou do seu bolso o advogado.

Os juízes consideram-no culpado, de homicídio por negligência grosseira, e condenaram-no a uma pena suspensa. José Pinto livrou-se de uns anos de cadeia, mas acaba de ser notificado para liquidar as custas do processo: seis mil euros. Pediu que fosse a GNR a pagar, porque ele não pode, mas os condenados por negligência grosseira, segundo os regulamentos, não têm esse direito.

O guarda foi negligente? Terá sido, sim! Mas estava em serviço. Não é sensato nem justo deixar os polícias entregues à sorte quando as coisas correm mal e lavar as mãos como Pilatos.

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