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Correio da Manhã

Opinião
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26 de Maio de 2011 às 00:30

 Uma a uma, as instituições foram sendo fragilizadas ou utilizadas em nome de um projecto de Poder pelo Poder. Ao fim de seis anos de governação liderada pelo actual Primeiro-ministro, o País está tão devastado que 27% dos Portugueses não desdenham emigrar. Sem programa, sem massa crítica, resta a Sócrates imputar aos adversários aquilo que o próprio fez, culpando os outros pela sua incompetência, sem um gesto de humildade democrática ou de responsabilização.

O País vai começar por precisar de referências para requalificar a sua Democracia, as Instituições. Ora, uma referência é tudo quanto Sócrates não é.

O País vai passar por sacrifícios e ajustamentos muito exigentes - há que dizê-lo com toda a clareza - e os seus dirigentes terão de ser exemplares; diria mesmo que terão de ser o oposto do deslumbramento com o Poder a que assistimos nestes últimos anos. Há que recuperar o conceito de missão e de sacrifício no desempenho de cargos públicos.

A reforma administrativa, incluindo de entidades públicas que somam milhões e milhões de prejuízos - em particular no sector empresarial -, e a reestruturação do tecido económico são absolutamente essenciais para que os impostos dos Portugueses não tenham como fim principal alimentar a máquina pública e respectivas clientelas e antes serem reorientados para a coesão social e intergeracional.

Impunha-se, pois, nesta campanha eleitoral, uma discussão verdadeira sobre a situação e o futuro do País, por todas as forças políticas, numa óptica transversal e avessa a demagogias, com programas detalhados e exequíveis, que os tempos não estão para encenações. Mas, alheio às suas responsabilidades, para o partido que suporta o Governo tem valido tudo, até utilizar pessoas a quem se oferece uma refeição em troca de uma participação numa acção de campanha e oferecer bilhetes para um oceanário como contrapartida da presença num comício... todos, mas todos os meios, justificam o único fim que lhe importa: o Poder. Há que pôr termo a este desvario: temos que nos concentrar na alternativa de mudança, no voto útil e evitar a dispersão, a abstenção ou a indecisão, sob pena de não criarmos a verdadeira alternativa de que precisamos.

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