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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Dezembro de 2003 às 01:09
Luís Campos não foi muito feliz neste seu regresso ao Gil Vicente. Ter de jogar nas Antas e ainda por cima sem nada menos de seis jogadores habitualmente titulares, mais de metade da equipa, deve ser obra. Mas, para quem leu ou ouviu os comentadores, esse azar não foi invocado para explicar a goleada e todas as facilidades encontradas pelos campeões. Pelo contrário, para os especialistas, que jogou desfalcado (do mago Deco, do grande capitão Jorge Costa e do esquerdino Nuno Valente) foi o FC Porto. Coisas. O dirigente de um “grande” disse-me um dia que a sua tarefa no clube era, entre outras coisas menores, a de “gerir os emprestados”, o que, segundo ele, “tem que se lhe diga”. Só mais tarde percebi a importância e o alcance de tais gestões. Os chamados “grandes”, e até alguns que não o são tanto, “emprestam” todos os anos jogadores aos clubes mais pequenos. Os que estão a mais, os que têm problemas, os que o treinador prescinde. Mas não os autorizam a jogar contra a sua própria equipa, mesmo que levem vinte pontos de avanço na classificação – e não os emprestam assim à toa. O histórico dos beneficiados é visto à lupa e tido em conta na tal “gestão” dos empréstimos. O que sucedeu desta vez ao Gil Vicente foi que, para além de dois titulares a cumprir castigo, houve mais quatro que, emprestados pelo FC Porto, estão proibidos de alinhar nos jogos com o FC Porto. O Benfica, o Sporting e outros fazem o mesmo, o que, de algum modo, reparte os prejuízos entre os que vivem como ricos e, como de costume, lixa os mais pobres. É o que se poderia chamar uma concorrência leal repartida.
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