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Correio da Manhã

Opinião
16 de Maio de 2009 às 00:30

À luz das revelações vindas a público nos últimos dias, o líder conservador até teve um comportamento quase exemplar: o único abuso nas suas contas foi uma factura de 680 libras de reparações domésticas que se apressou a pagar, acompanhada pelas devidas desculpas, mal o caso foi tornado público; outros houve que até a conta da substituição das tampas da sanita cobraram ao contribuinte.

Na reacção ao escândalo – que afecta não só o Partido Conservador mas todas as outras forças políticas com assento parlamentar – Cameron foi bem claro: os abusos são inadmissíveis e quem não devolver o dinheiro extorquido aos contribuintes será imediatamente expulso do partido.

Afinal, ele foi o homem que foi eleito para a chefia da oposição com a promessa de limpar a forma como se faz política no Reino Unido. Ao contrário de palavras-chave como crescimento, mais emprego ou menos impostos, Cameron escolheu a responsabilização como mote da campanha. A aposta deu frutos junto de um eleitorado farto das mentiras e do cinismo da era Blair, e valeu o regresso do Partido Conservador à liderança das sondagens, após uma década de domínio trabalhista.

Nascido no seio de uma família abastada, formado em Eton e Oxford e membro de um dos mais exclusivos clubes de cavalheiros londrinos, Cameron, de 42 anos, lutou arduamente para se livrar da imagem de snobe – vai de bicicleta para o emprego, prefere cerveja a champanhe e gosta de ouvir rock alternativo. Mesmo assim, há quem lhe chame vaidoso: há dois anos, no congresso do partido em Blackpool, foi acusado de mudar quatro vezes de fato em poucas horas.

O seu grande objectivo é ser primeiro-ministro. A concorrência de Gordon Brown – "um político analógico numa era digital", afirmou certa vez – não o assusta por aí além. Resta saber até que ponto os eleitores continuam dispostos a dar-lhe a sua confiança, após todo o recente alarido.

SOFRIMENTO DO FILHO MUDOU-O

A vida pessoal e política de David Cameron está marcada pela morte prematura do filho Ivan, de seis anos, em Fevereiro último. O primeiro filho do casal Cameron sofria de paralisia cerebral e epilepsia, não falava e era completamente dependente, mas era a luz da vida dos pais. Os amigos dizem que o sofrimento fez de Cameron uma pessoa menos arrogante e mais sensível, até na política.

A FIGURA

Bisneto e tetraneto de deputados conservadores, David Cameron nasceu com a política no sangue. Após os estudos, foi assessor no governo de John Major. Passou pelo sector privado para ganhar experiência laboral antes de voltar à política, tendo sido eleito deputado em 2001 e líder do Partido Conservador em 2005.

 

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