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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Outubro de 2007 às 00:00
Apesar da formalidade eleitoral que diz que são os partidos que concorrem em eleições legislativas, a verdade é que o cerne da comunicação política deste tipo de eleições segue a regra da personificação, apresentando os líderes dos dois principais partidos como concorrentes, de facto, ao lugar de primeiro-ministro.
É também esta a percepção de uma maioria considerável e negá-lo corresponderia a afirmar que a comunicação política se teria transformado em comunicação paradoxal. Por tudo isto e porque agora se conhecem os actores, é então totalmente legítimo perguntar aos eleitores em quem confiam mais para ser primeiro-ministro: se no líder do PS ou se no líder do PSD, já que as suas respostas a esta questão ultrapassam o nível mais efémero e volátil da conjuntura para se situarem num patamar estruturante da decisão de voto.
Os resultados são claros: apesar de, na avaliação (conjuntural) da actuação nos últimos 30 dias, Sócrates receber uma nota inferior à de Menezes (aquele enquanto líder e este enquanto político, já que só agora chegou à liderança), a verdade é que, no que diz respeito à confiança para o cargo de primeiro-ministro (estrutural), Sócrates está muito à frente de Menezes, com os seus 47% contra os 23% do novo líder do PSD. Surpreendente é a resposta do eleitorado do PSD: 36% confia em Sócrates e 36% confia em Menezes para primeiro-ministro. Ou seja, Menezes ganhou as eleições, mas ainda lhe falta ganhar a confiança do partido.
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