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Correio da Manhã

Opinião
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26 de Julho de 2006 às 00:00
A obesidade do sector público é das raras excepções. Mas apenas no diagnóstico, porque logo no tratamento as divisões cegas e incoerentes regressam. Os mesmos que criticam o excesso de gordura são capazes de atacar medidas como a que Rui Rio se prepara para aplicar ao Teatro Rivoli e ao Pavilhão Rosa Mota. O presidente da Câmara do Porto quer concessionar as infra-estruturas por quatro anos, cedendo a gestão a privados. A única crítica é ninguém – incluindo ele – tê-lo feito antes, já que, no caso do Rivoli, a receita cobre apenas 6% da despesa, ou seja, suga os outros 94% (7500 euros/dia) aos contribuintes da autarquia. E pouco importa se a oferta teatral e desportiva do Porto vai melhorar, pois o corte na despesa pública é, só por si, uma vantagem incontornável.
Pode-se falar das diferenças de dimensão do mercado, da riqueza do País e do número de habitantes, mas foi também por decisões como esta que a Espanha se fez melhor. Em pouco mais de uma década, descolou de Portugal e juntou-se aos da frente. Pelo caminho, o Estado espanhol cedeu a alguns interesses, é verdade, e desiludiu grupinhos como os intelectuais do Porto. Bom, mas ontem apresentou um excedente de 2,5 milhões de euros nas suas contas públicas.
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