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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Dezembro de 2008 às 09:00

O engº Sócrates resolveu antecipar--se ao Pai Natal e presentear-nos com um anúncio: afinal, 2009 vai ser um ano próspero e afortunado para todos nós. Diz ele, que as famílias portuguesas vão ter melhores condições de vida. Como lhe diria o humorista Jô Soares, "só contaram p’ra você!"

A acreditar no primeiro-ministro, dir-se-ia que vai sair a Lotaria de Natal às famílias portuguesas, que, e cito, "podem esperar, em 2009, ganhar poder de compra". Isto porque "podem esperar um melhor rendimento disponível em 2009 que advirá da baixa da Euribor" e "ver as suas despesas reduzidas com a gasolina, fruto da baixa do preço do petróleo".

Atendendo à quadra, gostaria de pedir ao engº Sócrates o obséquio de não tratar "as famílias portuguesas" como incapazes e de começar a falar-lhes com seriedade. É que os juros e o preço da gasolina podem aliviar alguma asfixia, mas não resolvem os problemas estruturais do nosso país nem a profunda crise que vivemos. Não resolvem o flagelo do desemprego que não cessa de aumentar em duas frentes: os que são despedidos e a imensidão de jovens que não consegue um primeiro emprego. Não melhoram a qualidade de vida dos reformados que recebem a pensão mínima 264 euros, nem impedem a falência de centenas de PME. Também não resolvem a lentidão da Justiça nem atribuem médico de família aos 700 mil portugueses que continuam a aguardar. Tão pouco reduz o assalto fiscal que ele, engº Sócrates, engendrou: em três anos, a carga dos impostos aumentou para 38% do PIB. E se a inflação baixar, será, sobretudo, devido ao nulo crescimento económico.

E gostaria também de pedir ao engº Sócrates que tivesse a decência de não se apropriar de medidas que não foram da sua autoria, nem da sua responsabilidade. As taxas de juro vão descer porque o presidente do Banco Central Europeu decidiu cortar na taxa de referência Euribor; e a gasolina poderá ficar mais barata porque o barril de petróleo está a metade do preço nos mercados internacionais. Ainda assim, resta ver como se comportam as nossas empresas petrolíferas. Como sabemos, são muito expeditas a aumentar os preços, mas preguiçosas quando se trata de baixá-los.

Já percebemos que o primeiro-ministro anda em campanha eleitoral, mas escusava de nos tratar como crianças e podia poupar--nos aos seus contos de Natal fantasiosos. É que, hoje em dia, é mais fácil acreditar no Pai Natal do que no engº Sócrates.

 

 

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