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Correio da Manhã

Opinião
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29 de Abril de 2010 às 00:30

É evidente que neste contexto de brutal agravamento da situação – o risco de Portugal é o segundo mais alto da Europa e a Bolsa de Lisboa afundou na pior sessão desde há um ano e meio – só resta a todas as forças políticas um caminho de responsabilidade.

A edição alemã do ‘Financial Times’ continha ontem a afirmação de que Portugal está a arder e o ministro das Finanças reconhece (finalmente) que a turbulência nos mercados vai continuar.

Ora, um caminho de responsabilidade é o reforço do PEC, nas suas duas vertentes: contenção da dívida e plano de crescimento. Há medidas muito exigentes a tomar já no imediato, sem perder de vista que é nesta segunda vertente que está o nosso principal problema: não produzirmos.

O Governo, perante o cenário que se instalou, tem mesmo de mudar de estratégia. Demonstrada que está a sua incapacidade para fazer face ao momento de brutal pressão, só resta um plano transversal para evitar uma crise financeira que só encontra precedente na primeira e segunda décadas do século XX e que culminou na instalação de um regime ditatorial.

É agora que os partidos podem fazer a diferença e reencontrar-se com os portugueses, deixando de lado não só as meras querelas partidárias como a intransigência na assunção de políticas irrealistas. E daqui pode surgir algo de positivo e uma nova postura política de rigor e exigência, a começar por quem tem responsabilidades.

Só assim se poderá salvar o Estado Social, num contexto que é mesmo de emergência nacional.

Há a obrigação de todos nós de contribuir para extinguir o incêndio que se propaga a uma velocidade vertiginosa.

Temos de reagir já, a curto prazo, mas também temos de nos atirar aos sectores produtivos, porque sem isso corremos o risco de tomar remédio em cima de remédio, sem que isso erradique a doença, embora lhe atenue os sintomas. E podemos ter sectores produtivos, tal como sublinhou o Presidente da República no passado dia 25 de Abril.

O líder da Oposição revela sentido de Estado ao assumir a linha da frente no combate à bancarrota que ameaça o País, pondo à frente o interesse nacional. Contribuir é preciso.

É também uma lição para o "orgulhosamente nós" de Sócrates.

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