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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Outubro de 2010 às 00:30

O que é conhecido deste Orçamento e tal como é conhecido, vai fazer-nos entrar em recessão e, portanto, entraremos na espiral infernal da recessão, insolvência das empresas, mais desemprego, mais evasão fiscal e crescimento da economia paralela. E, obviamente, teremos menos receita fiscal para solver os nossos compromissos... e o rating baixará e... os juros subirão. Medidas semelhantes tomadas pelo Governo espanhol não impediram a baixa do rating.

O PSD anunciou, em tempo, as condições em que viabilizaria o Orçamento do Estado.

O Governo, por seu turno, anunciou as linhas gerais do Orçamento com aumento de impostos e sem contrapartida no corte da despesa, exactamente o contrário dos pressupostos em que o PSD admitia a viabilização.

Ainda assim, subsequentemente, o PSD propôs publicamente a redução da taxa social única que compensasse a subida do IVA, forma de aliviar as empresas e tentar evitar o ciclo infernal.

Ao proposto, o Governo disse não.

Ausente do País, o Primeiro-Ministro ameaçou demitir-se se o Orçamento do Estado não for viabilizado.

Por seu turno, o Ministro das Finanças referiu-se publicamente à dívida pública em termos que, em bom rigor, implicariam o recurso ao Fundo Monetário Internacional.

Neste pano de fundo, é evidente que quem adicionou a crise política à crise económica foi o Governo. Foi o Primeiro-Ministro quem ameaçou demitir-se e o Ministro das Finanças quem, com as suas declarações, não deixou de aprofundar o deficit de credibilidade (às quais acrescem as revisões das revisões das previsões), o que, obviamente, tem implicações nos tão temidos mercados.

Outra conclusão óbvia é a de que se o Governo nada está disposto a rever e faz anúncios públicos que implicam a vinda do FMI, pretende o chumbo do Orçamento do Estado e a vinda do FMI. Convém-lhe. É que se for assim, o Governo poderia tentar passar a imagem de que não seria responsável por nada. Magnificamente malévolo, mas lamentável.

Mas que importa tudo isto a Sócrates? Decidido a manter o poder, o Primeiro-Ministro só tem, para o conseguir, de utilizar a táctica da vitimização e provocar uma situação que lho permita.

Pouco importa se foi o próprio Sócrates quem criou a situação em que vivemos e se faltou à verdade sobre a real situação do País ou se com a sua actuação provoca uma degradação ainda maior. Já o fez em 2009, por que razão não o faria agora?

A táctica é a mesma.

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