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Correio da Manhã

Opinião
8
7 de Abril de 2008 às 09:00

O filme é sempre o mesmo e nem sempre é de boa qualidade. É uma sina. Realizadores, actores e técnicos bem se esforçam por ser modernos, europeus, cosmopolitas, mas os resultados deixam sempre a desejar. Verdadeiramente já não há pachorra para assistir a certos debates, a certas cenas, a certos discursos e a certas propostas que enchem a agenda económica, política e social deste sítio triste, pobre, salazarento e cada vez mais mal frequentado. Os temas são recorrentes ou aparecem do nada carregados de tintas negras para rapidamente passarem para segundo plano ou pa-ra os armários do esquecimento. Faz-se dramas, conta-se histórias terríveis, relata-se situações extraordinárias e anuncia-se desgra-ças sem fim que nunca acontecem. Umas vezes é a corrupção galopante, a promiscuidade entre a política e os negócios. Promete-se leis, comissões de análise e reflexão, alguns altos mandatários põem cara séria, atiram umas palavras graves para o ar e esperam que os deuses as ouçam na sua imensa bondade e sabedoria. Outras vezes ataca-se pessoas, descobre-se passados comprometedores, divulga-se decisões políticas que beneficiaram estes ou aqueles, insinua-se, atira-se umas tantas pedras e esconde-se rapidamente a mão não vá alguém descobrir as carecas indignadas dos moralistas e justicialistas do sítio. Outras vezes é a violência nas escolas, os crimes horrendos que acontecem nas salas de aula, as armas terríveis que os alunos levam nos bolsos, um perigo extraordinário rapidamente aproveitado pelos dignatários da Justiça para aparecerem nas televisões a dizer umas baboseiras e a prometerem o Céu para os bem comportados e o Inferno para os criminosos do futuro. Depois a montanha acaba por parir uns ratos e percebe-se que num universo de 280 mil alunos do Secundário foram apanhadas cerca de duzentas armas, entre as quais perigosos canivetes, pistolas falsas e algumas verdadeiras. A seguir vem a querida Democracia. Aparecem generais na reserva e na reforma a dizer que está em perigo, partidos erráticos e alucinados a dizer que está doente e algumas vozes histéricas a gritar bem alto a indignação pelo simples facto de o presidente da Assembleia da República elogiar o trabalho do presidente da Região Autónoma da Madeira. No meio desta loucura galopante, de tanta asneira e de muita conversa verdadeiramente da treta, valha--nos, nesta Primavera de 2008, a certeza de que vamos ter muito betão, muita obra pública, alta velocidade, um novo aeroporto e mais quatro anos com José Sócrates a dirigir os destinos desta desgraçada Pátria.

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