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Correio da Manhã

Opinião
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Fernanda Palma

Crimes de Verão

Aparentemente, há uma relação entre o Verão e a criminalidade. Multiplicam-se, então, as notícias sobre crimes – roubos e homicídios, incêndios e violações, maus tratos e violência doméstica –, sobretudo em regiões de destino turístico, como o Algarve. Mas haverá, de facto, um aumento da criminalidade ou apenas um maior destaque noticioso dos crimes?

Fernanda Palma 21 de Agosto de 2011 às 00:30

É possível que, durante o Verão, os media dêem maior relevo aos crimes, como forma de ocupar um certo vazio noticioso criado pelas férias. Todavia, os registos de ocorrências têm documentado, nos últimos anos, um aumento superior a 5% da criminalidade durante este período. E este aumento sazonal do número crimes é extensivo a outros países.

A relação entre o Verão e o crime já foi constatada há muito pela Criminologia. A deslocação massiva de pessoas, a decomposição de comunidades, a facilitação do acesso a bens e o abrandamento dos hábitos de segurança são factores que a explicam. Acresce, hoje, uma espécie de turismo criminoso, facilitado pela liberdade de circulação na União Europeia.

Que fazer para contrariar esta tendência e garantir que o Verão seja só um tempo de descanso, convívio familiar e descoberta de novos lugares? A solução tem passado sempre pelo reforço da presença e da visibilidade policial em regiões de maior afluxo turístico. Nesse sentido, as Forças de Segurança desenvolveram o programa de policiamento "Verão Seguro".

Mas esta resposta não é a solução de todos os problemas. A prevenção da criminalidade e a luta contra as associações criminosas, ainda que incipientes, exigem uma melhor organização das voláteis comunidades turísticas e a troca de informações entre as polícias dos diversos Estados, para controlar os afluxos de pessoas, sem prejuízo da liberdade de circulação.

Por outro lado, alguns dos mais assustadores crimes de Verão surgem associados a manifestações psicopáticas ou desenrolam-se no ambiente fechado da família, sendo de difícil prevenção. Recordo, por exemplo, o caso do jovem de Ourém que matou uma família inteira para a roubar e poder comprar uma bateria. Nesses casos, o reforço policial pouco ou nada adianta.

Mas o Verão de 2011 trouxe, para já, uma novidade digna de registo. Ao contrário do que sucedeu em anos anteriores, não se tem assistido ao aproveitamento político da insegurança. Talvez a crise económica seja, em parte, responsável por esta saudável omissão, mas é legítimo pensar que ela se deve, também, a um maior sentido de responsabilidade das forças da oposição.

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