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Correio da Manhã

Opinião
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26 de Dezembro de 2011 às 01:00

Olhando para trás e tentando recordar este ano prestes a findar, três palavras nos vêm imediatamente à cabeça: imprevisibilidade, incerteza e insegurança. De facto, quem é que em Dezembro do ano passado poderia imaginar a série de terramotos políticos que sucedeu nos países árabes, as ditaduras que aí tombaram e a onda de esperança que então se gerou? E, nos antípodas, quem seria capaz de prever que no país campeão da tolerância que é a Noruega o horror viria à rua sob a forma de atentado hediondo? E que dizer do brutal acidente nuclear no Japão, quando, depois de Chernobyl, nos garantiram que as centrais nucleares eram seguras? O mundo está, de facto, imprevisível e às vezes até perigoso.

Na Europa, o nosso espaço vital, falamos no euro e pensamos logo em incerteza. É a palavra que melhor define a crise da moeda única europeia ao longo deste ano. Toda a gente sabe que o EURO é importante e que o seu fim seria uma catástrofe económica e social. Mas ninguém sabe verdadeiramente o que vai suceder. Numa Europa sem liderança e sem estratégia, todos desesperam por um golpe de asa que nos ponha a salvo desta incerteza e seja capaz de recolocar o velho continente no caminho da competitividade e do progresso.

Em nossa casa, por sua vez, é insegurança a palavra que melhor define o estado de espírito dos portugueses. A Nação está insegura. Estão inseguros os que trabalham porque receiam perder o emprego. Estão inseguros os desempregados porque sofrem as agruras da vida e a angústia de não voltar a ter um emprego. Todos estão inseguros porque todos sabem que o empobrecimento é uma evidência e que mudar de vida é inevitável. No meio desta insegurança, uma certeza nos orgulha: a certeza de que ninguém desiste, ninguém recua e ninguém abandona a sua trincheira. E, se alguém tem dúvidas, os inúmeros gestos de solidariedade que se desenvolveram neste Natal dissiparam-nas por completo. Afinal, Portugal não é um sítio. É uma Nação, com séculos de história, de cultura e de luta. No passado, vencemos vários cabos das tormentas. No presente, para usar a feliz expressão de D. José Policarpo, venceremos a crise da esperança. O futuro, esse, é sempre de quem não desiste.

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