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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Maio de 2011 às 00:30

Para estudar a opinião dos eleitores portugueses (oficialmente 9,6 milhões), as sondagens têm de construir amostras representativas da população, o que gera erros. A verdade é que os valores das chamadas ‘margens de erro’ máximas usualmente apresentados na comunicação social supõem um método amostral (que ninguém utiliza), um nível de probabilidade de 95% (ou seja, mesmo assim há 5% de probabilidade de tudo sair ‘ao lado’ do indicado) e dizem respeito ao total da amostra, o que não é o caso das percentagens dos partidos, que são calculadas unicamente sobre a parte da amostra que indica o voto.

Isto é, as ‘margens de erro’ das estimativas de voto partidário são bastante maiores do que é usualmente expresso nos media, o que aconselha ainda mais prudência na sua leitura. Onde alguns possam ver vantagens claras, eventualmente mobilizadoras ou desmobilizadoras do eleitorado, não há, porventura, mais do que um mero ‘empate técnico’.

As sondagens são como uma fotografia de um momento. Há que evitar as tentações do ‘pensamento mágico’, assentes no fetichismo dos números, que querem ver as sondagens como um vídeo futurista capaz de antecipar as entranhas do que ainda há-de ser.

Por isso, não menos importante do que analisar os resultados de uma sondagem, interessa compreender os movimentos da opinião pública entre sondagens, quiçá diários.

E, já agora, dá muito jeito uma boa teoria da opinião pública como, neste momento, parece ser o caso da teoria da ‘Espiral do Silêncio’, de Elisabeth Neumann, que explica que as pessoas podem calar o que pensam com receio de ficarem isoladas se exprimirem opiniões que lhes pareçam ir ao arrepio do que sentem ser o pensamento maioritário.

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