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Correio da Manhã

Opinião
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15 de Janeiro de 2006 às 00:00
Contudo, tem havido um grande esforço para potenciar a segurança e o Dacar não fugiu a esta regra, tendo sido impostos limites de velocidade em estrada (150 km/h para as motos), controlados diariamente pelos GPS. Apesar deste esforço, morreu Andy Caldecott, vítima de uma violenta queda. Trata-se da perda de uma vida, num acidente que se repete depois de Meoni ter morrido na última edição do rali. Poder-se-á argumentar que era um concorrente que conhecia as regras do jogo e foi vítima de um incidente de corrida.
Mas tudo é diferente quando, depois de uma criança ter sido atropelada mortalmente na passagem da Guiné para o Senegal, outra teve também infeliz destino antes da chegada a Dacar. É aqui que surge a questão. Em pistas que passam por grupos de palhotas, ou pequenas aldeias perdidas na savana, o Dacar é um fenómeno que arrasta multidões. Todos querem estar mais perto para ver passar o mundo do século XXI, num cenário de vida pouco mais do que pré-histórico. Mesmo onde há algum controlo policial, é impossível controlar a multidão, que não tem consciência do perigo – ontem, na estrada a caminho de Dacar, muitos atiravam-se para a frente de todos os veículos só para lhes... tocar.
Não ter um acidente é o mais difícil. Podemos dizê-lo por experiência própria. Passámos por lá e testemunhámo-lo, da mesma forma que vimos o pesar do concorrente da Letónia que havia causado a morte da primeira criança, e se retirou de imediato do rali em sinal de pesar.
Não sabemos se o Dacar é vítima do seu sucesso ou culpado por existir... Como deixa, para a resposta a esta pergunta, lembrem--se do Rali de Portugal nos anos 80, o que pode ajudar a compreender melhor o cenário do Dacar quando se aproxima do Senegal.
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