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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

João Pereira Coutinho

Daqui não saio

A crise corrente não é apenas económica. Começa por ser cultural. Basta ver as reacções indignadas ao novo regime de mobilidade geográfica para a função pública. Ideia do governo: quando não há trabalho aqui, o funcionário tem de ir para acolá.

João Pereira Coutinho 17 de Fevereiro de 2012 às 01:00

Onde faz falta. Nada mais básico: entre o desemprego e a deslocação, em especial num país do tamanho de um penico, qualquer pessoa racional não hesita. Mesmo, ou sobretudo, pessoas com famílias para sustentar.

Mas Portugal tem uma particular visão das coisas: o sonho do lusitano médio é viver no 1º piso; trabalhar no 2º; fazer as suas férias no 3ª; viver a reforma no lar de idosos que fica no 4º; e, quando a hora chegar, ter o serviço fúnebre no 5º. E se alguém sugere, como o deputado João Almeida do CDS, que o trabalhador pode sempre recusar a proposta e ‘desvincular-se' (como acontece em qualquer empresa), o herege é logo queimado no pelourinho.

Reformar o país é fácil. Difícil é reformar a cabeça dos nativos.

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