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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Agosto de 2003 às 00:00
Nas três ou quatro dezenas de vezes em que, no jornal desportivo a que dediquei, praticamente, toda a minha carreira, fui incumbido de traçar, por esta altura do ano, uma perspectiva credível e fundamentada da luta pelo título de campeão nacional de futebol, nunca deixei de atribuir ao campeão da época anterior as honras de candidato principal. Por uma questão de respeito, mas, também, por imperativo de lógica. Só na hipótese do campeão em exercício ter desfalcado e fragilizado escandalosamente a equipa da época anterior durante o interregno das férias e do mercado estival das transferências, enquanto, simultaneamente, os rivais gastassem o que tinham e o que não tinham na aquisição de grandes e efectivos reforços, é que me parecia lícito e coerente conceder a outro, ou outros, a “dignidade de favorito primaz”.
Ora bem. Em primeiro lugar, ninguém pode ignorar ou menorizar o facto do FC Porto, vencedor (e com que folga!) da anterior edição da prova, ter sido, com não menor avanço, o campeão da época de transferências, em que só não conseguiu salvar dos grandes “predadores”, como o Barcelona, o Manchester e o Milan, o brasileiro Deco, como adquiriu quem quis, quando quis e pelo preço que quis, sem concorrente por perto.
É verdade que o imbatível comprador (e vencedor) deixou fugir outro dos fantásticos Aladinos do seu reino, Hélder Postiga, mas também é certo que, na equipa das Antas, não ficou nenhum lugar sem dono, e dono à altura de todas as situações. É que, em minha opinião, a equipa portista não é constituída por Deco... e mais dez, mas sim por dez... e mais Deco. FC Porto é a constelação: Deco a sua estrela maior.
Será preciso acrescentar alguma coisa para justificar a “nomeação” do FC Porto, SAD, como favorito n.º 1 ao título de vencedor da megalonicamente chamada SuperLiga? Sim, é. Apenas a observação, mil vezes repetida e comprovada, de que o futebol não é, nunca foi e jamais o será, uma ciência certa. Aqui, dois mais dois nem sempre serão quatro. Lembrem-se dos inevitáveis e caprichosos erros dos árbitros; das intervenções abusivas, embora sempre negadas, das influências paralelas de certas secretarias, da verdade de hoje que se transforma na mentira de amanhã, como proclamou, um dia, o dr. Pimenta Machado (a propósito: será verdade que, como corre por aí, o “seu caso” foi abafado?) e de tantos outros imponderáveis ou incidentes típicos de futebol, que ficaram na história de muitos campeonatos. Lembrem-se de tudo isso e ainda de que o Benfica e o Sporting não são flores que se cheirem e deitem para o lixo.
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