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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Setembro de 2002 às 21:08
Após um curso especial que decorreu em Tomar, os srs. árbitros foram industriados sobre dois pontos – usar um maior rigor disciplinar e, por outro lado, evitar as interrupções “deixando jogar até ao limite, de forma a evitar os constantes cortes no jogo”.

Propósito muito louvável contra um dos cancros do futebol português – o reduzido tempo útil de jogo que, entre nós, não excede, em média, os 40% do tempo regulamentar, quer dizer, uns miseráveis 35 minutos de tempo real de jogo em cada 90!

Após três jornadas, bem se pode dizer que os srs. árbitros mandaram às malvas as recomendações dos “sábios” que os governam e, com uma ou outra comedida excepção, não se cansam de nos brindar com intermináveis concertos de apito.

Não é possível haver um mínimo de espectáculo e de bom futebol se o homem do assobio não deixar fluir as jogadas e estiver a interrompê-las sempre que alguém cai ou finge que cai.

Não foi por acaso que o melhor espectáculo desta jornada foi o P. Ferreira-Sporting, mas porque o árbitro sr. Pedro Henriques (uma chapelada) deixou jogar nos limites e interrompeu só quando tinha que ser.

Tenho para mim que, para além de não saberem aplicar a lei da vantagem, os nossos árbitros acham que apitar muito é “mandar no jogo” e “ter personalidade”, apitar pouco é “demitir-se” ou “não assumir” o poder que lhes deram.
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