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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Setembro de 2011 às 00:30

Um dos aspectos mais impressionantes das sedes dos órgãos da Comunidade Europeia é a parada de bandeiras dos Estados-membros hasteadas em paralelo e em igualdade de soberanias. Ao seu lado, por mero costume, a bandeira virtual da UE que falhou a sua consagração nos tratados.

Por todo o lado, o maior respeito aos símbolos dos Estados-membros é um dever elementar, e por maioria de razão por quantos detenham cargos oficiais nos órgãos comunitários. No caso dos comissários europeus, esse respeito é acrescido pelo facto de os seus cargos terem sido aprovados por todos esses Estados em Conselho Europeu.

No clima de desagregação comunitária que se está a formar em alguns círculos críticos da UE, um dos argumentos mais perigosos para a paz internacional é o de se insinuar que há povos do continente incapazes de se autogovernarem. Por isto e por aquilo, cresce a possibilidade de ressurreição da figura do ‘protectorado’ que serviu de cobertura à colonização do Norte de África, por exemplo. Pois nesse contexto significante, Günther Oettinger, comissário Europeu da Energia, oriundo da CDU alemã, deu há dias uma entrevista à revista ‘Bild’ na qual propõe punir os Estados da UE com dificuldades financeiras, exibindo as respectivas bandeiras nacionais a meia haste nos edifícios comunitários.

O senhor Oettinger demonstrou não ter a mínima noção do que significa o projecto comunitário, traiu a confiança dos governos que o nomearam por unanimidade para o cargo de Comissário, afrontou particularmente o presidente desta, e colocou em risco a soberania dos Estados ao propor a substituição dos governantes eleitos por equipas provindas de países cuja pureza monetária esteja garantida. O SEAE, Miguel Morais Leitão, limitou-se a opinar que achava mal o insulto do comissário. Mete dó. Durão Barroso terá ouvido no confessionário em Bruxelas umas palavras mal balbuciadas pelo comissário que tomou como desculpas informais, mas que foram certamente insuficientes. Ora Durão Barroso e os deputados europeus devem iniciar um procedimento que leve Günther Oettinger a retractar-se em público ou a demitir-se.

Caso contrário, sugiro ao Correio da Manhã que lance uma petição internacional para o efeito.

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