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Correio da Manhã

Opinião
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João Pereira Coutinho

Depois do diabo

Era Churchill quem dizia que, para vencer Hitler, estava disposto a ir ao Inferno e a fazer uma aliança com o diabo. Dito e feito: a aliança com Estaline, depois da ‘traição’ de Hitler ao pacto Molotov-Ribbentrop, é apenas o exemplo clássico de que em política não existem bons e maus.

João Pereira Coutinho 6 de Fevereiro de 2011 às 00:30

O que existe são males menores que evitam males maiores: no caso da Segunda Guerra, Estaline foi o parceiro possível para evitar o triunfo do nazismo; e, no caso do Egipto, o intragável Mubarak tem sido a barreira frágil contra o fanatismo islamita. Isto não significa que Mubarak seja solução para o que quer que seja. Significa, tão só, que no novo ciclo que se abriu no país, é preciso não repetir os erros de Gaza, em 2006: acreditar que a democracia garante sempre um regime ‘decente’ – e não, como se viu, o triunfo do Hamas, um subproduto terrorista da Irmandade Muçulmana. A única coisa a esperar do Egipto, e sobretudo das suas forças armadas, é a criação das condições materiais e institucionais em falta para que a democracia, quando chegar, não seja uma vingança dos desesperados.

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