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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Agosto de 2004 às 00:00
O presidente da RTP, Almerindo Marques, não anda muito bem informado. Em entrevista ao CM, fez crer – a propósito do excesso de repetições de programas nesta altura do ano – que a situação é perfeitamente normal, justificando que o fenómeno é já uma tradição na televisão portuguesa e que, cite-se, “toda a gente faz isso”. De facto, toda a gente faz isso, mas não com a gravidade em que incorre, neste momento, a televisão pública, que se esquece do respeito pelo telespectador quando repete programas em horário nobre (é a única que o faz) e, ainda para mais, concursos (é, igualmente, a única que o faz). Se ainda se pode fazer um esforço para perceber, por exemplo, a reposição de produtos como ‘As Lições do Tonecas’ ou coisas do género, que sentido faz repetir emissões de concursos (‘Um Contra Todos’ ou ‘O Preço Certos em Euros’) que ainda há pouco tempo foram exibidos?
A RTP é a única estação que está a repetir produtos em horário nobre, reforçando até essa posição com o regresso de ‘O Elo Mais Fraco’ marcado para este fim-de-semana. Uma situação destas não é – não pode ser – confortável para nenhuma estação de televisão. Outro ‘pormaior’, que o CM também relata: Almerindo diz que esta foi uma decisão da Direcção de Programas; a Direcção de Programas fala em razões orçamentais. É bom que se diga que a Administração de Almerindo Marques já fica, aconteça o que acontecer, ligada à história da RTP e por muito boas razões. Foi nestes dois últimos anos que, definitivamente, se iniciou um processo de recuperação (tantas vezes adiado) na televisão pública – visível, nalguns aspectos, na própria organização da empresa, mas sobretudo com um reflexo muito positivo no produto que chega à antena.
Se aquilo que era aparentemente mais difícil conseguiu ser feito, já está feito!, era de todo aconselhável que se evitassem, agora, deslizes como este (o das excessivamente misteriosas repetições, cuja ideia e responsabilidade ainda tem ‘pai’ incógnito…), que podem fazer regressar à memória de todos nós aquela RTP confusa, despreocupada, que tão bem fazia jus ao estilo “deixa andar”. Já é também mais ou menos líquido que a televisão pública vai perder a guerra do futebol, caducado que está o contrato com a Olivedesportos. Sem os jogos da SuperLiga, a RTP perde, naturalmente, muito do seu valor natural. Perde, até, alguma identidade. A vida não está fácil e, da bancada, já se ouvem alguns assobios. É bom que não se perca a concentração. Até porque, na primeira parte, a qualidade do ‘jogo’ foi muito boa…
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