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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Maio de 2003 às 00:00
O director em questão ia participar num curso em Itália sobre inspecção tributária. Antes de partir, foi aconselhado pelos amigos a guardar todas as facturas de bens ou serviços que consumisse. Céptico nos seus 30 anos de carreira passados no Fisco português, ele lá foi descansado da vida rumo a terras italianas.
Foi num fim de tarde que tudo se passou. Estava o meu amigo a tomar um ‘capuccino’ numa esplanada da Praça Navone, quando se deu conta que eram horas de regressar ao curso que o tinha feito deslocar a terras romanas. Não tinha andado vinte metros, quando foi abordado por dois indivíduos, que se identificaram como sendo da Polícia Fiscal.
“Onde está a factura do café que acabou de consumir?”, perguntou um dos homens. Atrapalhado, o meu amigo apontou para a mesa ainda vazia da esplanada romana. Lá estava o papel, a esvoaçar com o vento, tentando libertar-se do pires que o mantinha preso.
Os fiscais italianos explicaram então a um director de Finanças português que a não apresentação da factura dava direito a uma multa, a ser paga pelo próprio contribuinte.
“Lá é a sério”, confidenciou-me dias mais tarde, abismado com a experiência por que tinha passado, e revoltado pelo facto de as coisas, “cá em Portugal” não se passarem do mesmo modo.
“O senhor deseja uma factura?” É a pergunta que sintetiza décadas de promiscuidade fiscal, onde tudo era resolvido à mesa do almoço, e selado com prendas no Natal.
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