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Paulo Morais

Desemprego

Desperdiçar este activo, que poderia gerar riqueza e reestabilizar os fundos de Segurança Social, é criminoso.<br/>

Paulo Morais 27 de Novembro de 2012 às 01:00

Os números do desemprego atingiram o valor dramático de 16%, que chega a uns nunca vistos 39% no caso dos jovens. Insensível, contudo, o governo continua a tomar medidas que levarão ao aumento deste flagelo. O orçamento de Estado de 2013 incorpora mesmo políticas activas... de desemprego. Ainda por cima, o governo estimula o desemprego numa época em que dispomos de recursos activos como nunca houve na vida democrática portuguesa.

A carga fiscal prevista no orçamento de 2013 levará à generalização da pobreza e ao aniquilamento da classe média. O aumento do IRS e do IMI arruína os orçamentos familiares, depois de a subida do IVA ter provocado já a diminuição da procura. Este efeito conjugado de agravamento de preços e redução de salários acarretará falências em massa. O corolário lógico será o aumento galopante do desemprego, como o próprio primeiro-ministro já reconheceu.

Por absurdo, este agravamento de desemprego ocorre num momento em que temos a população activa mais capaz, quer em quantidade, quer em qualidade. Jamais a população activa foi tão numerosa como na última década, com 67% da população na faixa etária que vai dos 15 aos 65 anos. Nem nunca a população foi tão qualificada, resultado da democratização do ensino básico e secundário verificada no pós-25 de Abril, mas também do esforço generalizado das famílias em financiarem cursos superiores aos filhos. Desperdiçar este activo, que poderia gerar riqueza, pagar impostos e reestabilizar os fundos de Segurança Social, é verdadeiramente criminoso.

Com um milhão e quatrocentos mil portugueses em situação de desemprego ou subemprego, a situação é calamitosa. Os cidadãos revoltam-se, com razão, pois verificam que as políticas desenvolvidas são exactamente as contrárias ao que é necessário. Os desempregados, já sem esperança e sentindo-se injustiçados, procuram hoje emprego, mas buscam sobretudo vingança.

Foi uma sociedade com milhões de desempregados e marcada pelo medo, de que também hoje padecemos, que favoreceu a ascensão do nazismo e do fascismo na Europa. Quando os cidadãos desistem de querer justiça e clamam por vingança, estão à mercê de todo o totalitarismo.

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