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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Janeiro de 2005 às 00:00
Promessa feita, promessa cumprida, ontem misturei-me na multidão e tive o meu baptimo na arte do cricket. No rosto dos pequenos jogadores há a esperança de um dia se tornarem um Figo deste desporto, um privilégio que os pode resgatar das mãos da miséria. Parado, a observar, um menino está alheio ao jogo. Não tem mais de nove anos, soube mais tarde que tinha ficado órfão. Faço-lhe sinal, vou buscá-lo para a partida, para a vida que renasce. É mais uma das crianças espalhadas pelo mundo a quem chamo de filho, perante a carinhosa complacência da minha família.
A manhã tinha começado com um pequeno-almoço especial, depois de uma noite passada no acampamento. Numa mesa corrida, pela primeira vez desde que me encontro neste país comemos torradas feitas numa torradeira. Leite, café e papaia completam o banquete. Acertei com o padre Silva o financiamento para a construção de uma grande cisterna, com capacidade para 20 mil litros de água, que possa permanecer no campo humanitário durante um ano, o período previsto para a sua manutenção.
Segunda-feira reabrem as escolas que não foram afectadas pelo maremoto – perto de 40 ficaram destruídas por completo – e as solicitações para receber mais alunos na Missão não param de chegar. Na sua maior parte são crianças que perderam os parentes mais próximos. É o lento retorno à normalidade, um sinal também dado pelos pescadores que regressam ao mar e pelo pequeno comércio que reabre as suas portas.
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