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Correio da Manhã

Opinião
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F. Falcão-Machado

Diego Rivera

É difícil falar do pintor mexicano Diego Rivera sem o associar à agora tão mediática Frida Kahlo, que foi uma das suas mulheres. Ambos foram, de facto, artistas de grande talento que marcaram definitivamente a arte mexicana do século XX.

F. Falcão-Machado 10 de Novembro de 2007 às 00:00
De momento, a imagem de Frida Kahlo beneficiará talvez de uma maior projecção, traduzida em parte no sucesso que foi a recente retrospectiva da sua obra. Como referi oportunamente nesta coluna, a exposição realizou-se no Palácio das Belas Artes da Cidade do México e recebeu para cima de meio milhão de visitantes. Merece porém ser assinalado que está nesta altura a decorrer no mesmo local, ainda que de uma forma menos publicitada, uma excelente exposição sobre a obra de Diego Rivera.
Rivera foi um dos grandes ‘muralistas’ do México, a par de Siqueiros e de Orozco. Este movimento artístico, o ‘muralismo’, teve na sua origem um propósito pedagógico, que era o de lutar contra o subdesenvolvimento do México dos anos 30 através de mensagens de claro conteúdo social e político, plasmadas em grandes frescos nas paredes de edifícios públicos. Dada a sua localização, essas pinturas ficavam directamente acessíveis ao povo e encerravam com frequência uma forte carga ideológica, que só pode ser cabalmente entendida quando cotejada com a história recente do México.
Mas a personalidade de Rivera não deixa de possuir outras facetas menos conhecidas. Durante uma estadia de dez anos na Europa aderiu inicialmente ao movimento cubista, mas cedo optou por um estilo muito próprio inspirado nas suas raízes mexicanas. Trabalhou na então União Soviética e também nos Estados Unidos, onde um dos seus clientes foi Nelson Rockefeller. Ajudou a lançar artisticamente Frida Kahlo, com quem manteve uma relação de extremos. Embora bastante mais velho do que Frida, com ela casou duas vezes. E sendo um dos fundadores do Partido Comunista mexicano, Rivera foi expulso do mesmo devido às suas relações com Trotsky, entretanto exilado no México. Mas nunca deixou de ser, tal como Frida, um empenhado militante de causas políticas e sociais.
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