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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Junho de 2005 às 00:00
Honra-o como servidor da causa pública, sobretudo porque se sabe que tomou a iniciativa de suspender o subsídio vitalício que lhe advinha dos seus cargos políticos. Mas, de facto, essa solidariedade só marca mais o contraste com o caso dos ministros que recebem pensões juntamente com o ordenado.
É que a questão tem muito mais a ver com aquilo que todos sabemos da vida pública – política –, que tem vantagens e desvantagens.
Ser ministro, secretário de Estado ou deputado, ou ser um dos governadores do Banco de Portugal, tem peso no ‘curriculum’ e, só por si, já é, muitas vezes, um bom meio de ter um futuro razoável.
Os ministros Campos e Cunha e Mário Lino, obviamente, não vão abdicar dos seus direitos, como não vai abdicar Alberto João Jardim. E é particularmente tocante a frase do ministro das Finanças, ao dizer que, para ele e sua mulher, ambos professores, o aumento da idade de reforma na Função Pública tem consequências pessoais. Claro que tem, sobretudo porque Campos e Cunha tem apenas 51 anos. Mas, sr. ministro, 99% dos portugueses, só com a sua pensão do Banco de Portugal, já não se atreveriam a falar disso. Achariam imoral.
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