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Correio da Manhã

Opinião
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João Vaz

Discussão ou pancada

Os assuntos na ordem do dia são o aumento de impostos, a carestia de vida, a crise económica e financeira, o portajamento das Scut, os cortes à cega nos serviços públicos da Saúde à Segurança, passando pela Educação. Há impostos com efeitos retroactivos, outros encapotados sob a forma de chips obrigatórios, medidas em que as excepções são mais numerosas do que os submetidos à regra, etc., etc. Tudo com o denominador comum do poder arbitrário e do mando abusivo. Um e outro estão entranhados na vida portuguesa.

João Vaz 3 de Julho de 2010 às 00:30

Há uma maioria – a média de idades em Portugal é de 38,8 anos – que foi educada sob a ditadura, e a sociedade ainda não desconstruiu as suas práticas. A direita e a esquerda têm por bons alguns comportamentos abomináveis. Debate-se pouco, embora às vezes se proteste muito. Não se respeita o cidadão, eleitor e contribuinte. Fazem-se montes de leis, mas não há um sistema jurídico em que a sociedade se reconheça. Discute-se a Constituição como se fosse um manual de instruções. A direita acha que governa à esquerda se não alterar a Constituição. A esquerda diz que nada resiste ao alegado superior interesse nacional e passou a governar à direita mal se fez a primeira revisão constitucional. Não sentimos a lei, e isso acarreta o resto. Se estamos tão frágeis politicamente é porque estruturámos a nossa integração na Europa com nove anos de Cavaco e cinco de Guterres, com alguns a tratarem da vidinha em vez de se avançar um futuro para o País.

Os portugueses sabem que têm deveres de solidariedade social para com os desprotegidos. A história mostra até que as conferências de São Vicente de Paulo existiam muito antes do estado social e que o Banco Alimentar Contra a Fome chegou mesmo a tempo de responder às realidades quando, num furor legislativo, o Plano de Erradicação das Barracas, de Cavaco, e o Rendimento Mínimo Garantido, de Guterres, decretaram demagogicamente o fim da possibilidade de pobreza em Portugal. Quando, de facto, esta só se reduz produzindo mais riqueza.

O dever de solidariedade não obriga a dizer ámen a tudo o que o Governo quer arrebanhar para malbaratar em contratos à Figo, a tapar fraudes no BPN, incompetências no BPP e desatinos no BCP e o que mais aparecer. Deve-se discutir tudo, até se entender. Debater é mesmo mais importante do que dar pancada no poder, embora seja isso que o executivo pede com o seu mau governo. Arbitrário e abusivo. Sem respeito pelos cidadãos. Afundando a confiança que é o factor decisivo para levantar Portugal.

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