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Correio da Manhã

Opinião
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Joana Amaral Dias

Distinta lata

Um estudo do FMI aponta a desigual distribuição de rendimentos como principal causa da crise financeira. Sim, leu bem: do Fundo Monetário Internacional. Os seus economistas agora afirmam que a crise resulta do aumento da concentração de riqueza e consequente endividamento da esmagadora maioria da população.

Joana Amaral Dias 27 de Novembro de 2010 às 00:30

Do desvio dos recursos de muitos para muito poucos e não do "viver acima das possibilidades". Do fracasso do papel redistributivo do Estado e não de "demasiado Estado Social". Nada que nos seja estranho. Afinal, Portugal está endividado. Mas também é o segundo país da Zona Euro com maior desigualdade.

O FMI também aponta novas políticas redistributivas como as mais eficazes para combater a crise. Mas, chegados à Irlanda, o que aplicam? Exactamente o oposto. Cortes nos benefícios sociais e nos salários. O mesmo que fariam em Portugal. O mesmo (ou pior) que os governantes já fazem. Então não são os mesmos que aprovaram este orçamento, governo e PSD, que dizem que daí resultará recessão? Ambos sabem, tal como sabe o FMI, que mais austeridade contribuirá para aprofundar a desigualdade e agravará a crise. Mesmo assim, impõem-na. Não, não é ignorância. Nem sequer loucura. É a costumeira falta de coragem e, agora, até total ausência do mínimo de vergonha.

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