Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
1
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Armando Esteves Pereira

Dívida de má nota

A dívida portuguesa será a que mais penalizará os resultados dos próximos testes de resistência à banca europeia. Os responsáveis deste exame decisivo à solidez das instituições ameaçam desta forma a banca portuguesa, naturalmente exposta à dívida nacional.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 19 de Março de 2011 às 00:30

O que é estranho é que a dívida lusa seja considerada de maior risco que os títulos da Grécia ou da Irlanda, países que já estão sob intervenção do FMI. No pior cenário dos testes de resistência, os bancos têm de descontar 19,8% das Obrigações do Tesouro a 10 anos. Ou seja, é adiantada a hipótese de Portugal não conseguir pagar quase um quinto das OT.

Este é um sinal claro do desgraçado descrédito a que este país chegou. O elevado endividamento do Estado, incluindo as contas das empresas públicas e os custos assumidos com as parcerias público-privadas, associado a um contexto de recessão económica, facilita a má fama de um país que até há um ano pagava apenas algumas décimas a mais do que os alemães pelas emissões de dívida.

Com estas condições, o capital da banca portuguesa fica mais pressionado e talvez seja necessário injectar muitas centenas de milhões de euros. Pode parecer paradoxal que um Estado que faz da ‘venda da dívida’ ao exterior uma arte de sobrevivência tenha de reforçar o capital de bancos privados. Mas esta pode ser uma solução de recurso

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)