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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Fevereiro de 2008 às 09:00
Por cá, com as excepções do costume, é uma semana de férias, está bom de ver.
Até nem se passa nada no rescaldo do Carnaval, apesar do plano global para a crise apresentado pelos Estados Unidos e recusado pe-la Europa e pelo Japão.
E foi em ambiente depressivo que da Europa veio, inesperadamente, um leve sinal: foi a França a reclamar o proteccionismo para a indústria francesa, o qual penso dever ser inevitável e extensível. Venho defendendo a necessidade de reintroduzir o proteccionismo, porque creio que de facto o caminho é mesmo por aí se não quisermos aquietar-nos em inevitabilidades e continuar a empobrecer.
Sobre estas questões vitais continuamos a não ouvir uma palavra quer ao Governo quer, verdade seja dita, à Oposição. Continuam calados mas a fazer muito ruído. Anda tudo entretido com o acessório, com pequenas coisas que justificam pequenas existências. Sobre o essencial, nada. Sobre o que nos pode defender e reestruturar nem uma palavra.
O País entretém-se e discute muito o que não sabe ou não interessa para nada; há muito quem fale de mais, quem ajuste contas recíprocas sem qualquer preocupação de preservação institucional. Germinam climas de suspeição onde deve e onde não deve mas também contraditoriamente tudo é tido como normal. As crispações diárias são visíveis.
Portugal está esquizofrénico. Portugal fulaniza-se, o que seria de evitar e não apenas porque é de mau gosto, o que por si só, aliás, bastaria.
Do Partido Socialista não vem projecto digno desse nome, nem a necessária crítica construtiva que permitiria o exercício de uma actividade governativa corrigida: quer-se a manutenção do Poder pelo poder, objectivo que em regra leva ao chão. É só uma questão de tempo e de alternativa. Mas no Partido Social-Democrata as formas de afastamento dos ‘críticos’ mantêm-se como as principais preocupações. Veremos se vêm primeiro as campanhas contra os ditos e depois os processos ou vice-versa. Apostaria na primeira fórmula. Clássico: quem não se consegue impor fora, inventa, procura e persegue ‘adversários internos’ para justificar a falta de afirmação.
E para 2009 é o actual líder parlamentar do PSD quem prepara o duelo ao sol – que nunca deixou de querer – com o actual primeiro-ministro.
Mas a quem interessa esse duelo ao sol num País sem rumo e num Mundo estafado? É uma questão de ego, claro, mas essa já é outra análise. l
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