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Correio da Manhã

Opinião
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Luciano Amaral

E depois, o que resta?

O problema do Governo não é a austeridade, pelo menos em abstracto. O problema é esta austeridade autodestrutiva em concreto.

Luciano Amaral 26 de Outubro de 2012 às 01:00

Alguma austeridade é agora inevitável. Quem critica o Orçamento tem de o admitir, ou não está a falar a sério. A grande ideia do PS, por exemplo, é nenhuma, tirando o vago apelo ao "crescimento".

Já a da outra esquerda é "renegociar a dívida". Está muito bem e pode até ser precisa, mas não dispensa a austeridade. Acresce que não depende só de nós. Se os credores recusarem, está a esquerda disposta a assumir todas as consequências (não pagar a dívida, ficar sem crédito, sair do euro...)?

Todas as soluções alternativas, mesmo as que são melhores, têm custos elevados. Por isso, este Governo tristonho, que já nem sequer acredita muito em si próprio, vai sobrevivendo. A sua vantagem é já lá estar, quando ninguém quer ir para lá. O seu principal defeito é afunilar as soluções só para esta, justamente numa altura em que mais era preciso jogar com várias. Porque se nada disto funcionar, como é quase certo, o que resta? Resta refazer tudo, como se este Governo nunca tivesse existido.

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