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Correio da Manhã

Opinião
26 de Novembro de 2010 às 00:30

Um dia genuíno de greve geral, em que Portugal inteiro parasse em protesto contra o Governo e os sindicatos se mantivessem caridosamente mudos, sem andarem a celebrar adesões de 90% nem a distribuir babugem marxista-leninista pelas televisões. A uma greve assim, acreditem, eu aderia.

Porque apesar de eu não gostar de greves, se há greve justa foi a de quarta-feira. A situação trágica a que chegou Portugal tem culpados concretos. Chamam-se António Guterres, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e José Sócrates (também aqui podem incluir a segunda maioria de Cavaco Silva, se quiserem). Uns têm mais culpa do que outros – Guterres e Sócrates, esses, não têm perdão, porque tiveram todas as condições para mudar o país e desperdiçaram--nas vergonhosamente –, mas todos eles conduziram a pátria até ao ponto miserável onde ela hoje se encontra. Convém que não diluamos as culpas numa nuvem vaga de faltas de produtividade e problemas estruturais. Nos últimos 15 anos não houve nenhum dia em que a cadeira de São Bento estivesse vazia. E é hora de quem lá se sentou assumir as suas responsabilidades.

A greve foi justa. Só é pena que tenha sido promovida pelas forças mais reaccionárias da sociedade portuguesa. Tristemente, não me lembro de um único sindicalista que tenha ambicionado um dia ser mais do que caixa de ressonância do PREC; que convidado a escolher entre a promoção de um competente e a protecção de um incompetente não tivesse preferido o segundo ao primeiro. Governo e sindicatos são as duas faces de um status quo que nos mantém presos à mediocridade. Há já demasiado tempo.

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