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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Março de 2007 às 00:00
Havia um dogma na televisão em Portugal: em regime de concorrência, não era possível fazer programação de qualidade e com audiência. Qualquer aposta na qualidade seria sempre condenada a um falhanço de audiência e audiências de sucesso significariam, invariavelmente, uma má qualidade.
Esta predestinação limitava quer a ousadia dos profissionais, quer a inteligência do público. A opção para quem queria muitos telespectadores era só uma: telelixo. Era comum, então, dizer-se que o público tinha a televisão que merecia.
Mas algo mudou, nestes últimos anos, sob o impulso de decisores políticos clarividentes, em diferentes governos.
Passo a passo, com determinação e génio, a RTP 1 tem vindo a mostrar que, afinal, é possível. Com uma programação inteligente e com bom gosto, sem pretensiosismos bacocos, nem cedências gratuitas, o canal público tem mostrado o caminho.
Soube evitar a armadilha de confundir qualidade com snobismo ou seriedade com cinzentismo. Subtraíram a definição de ‘qualidade’ do domínio dos intelectuais e tornaram-na popular. Com os ‘Gato’, mas também com ‘Dança Comigo’; com a ficção portuguesa clássica, mas também com a ‘Contra-Informação’. E os resultados apareceram.
Neste roteiro está também uma informação credível, onde com o seu principal produto – o ‘Telejornal’ – é líder de mercado.
O risco de promover um grande debate semanal – ‘Prós e Contras’ – e de colocar as Grandes Entrevistas em horário nobre foi recompensado pelo público.
Este também continua a apreciar os momentos de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Vitorino, dois dos mais brilhantes comunicadores do nosso espectro mediático.
As críticas quanto à independência (ou falta dela) da informação não colhem, apesar de, aqui e além, poderem ser discutíveis os critérios editoriais. Mas, onde não o são?
É evidente que isto não significa que tenha atingido a perfeição. Longe disso.
Aliás, é bom que os líderes desta revolução tranquila – seja a Administração da RTP, seja Luís Marinho e Nuno Santos – não se deixem adormecer por estes sucessos.
É importante que, no caminho trilhado, se vá mais longe. Sem quebras, nem hesitações. Porque se é possível fazer televisão com qualidade que os espectadores vêem, então há a obrigação de a fazer. Já não há desculpas. É possível.
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