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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Março de 2003 às 00:00
Em segurança, porque estamos perante animais cujas características genéticas não sustentam com viabilidade económica sobrecargas alimentares: os seus ritmos de crescimento são "naturais", isto é, lentos e constantes. Com qualidade, porque a sua alimentação é à base de pastagens, forragens e rações de baixo e médio nível energético e proteico, obtidas a partir de produtos vegetais. É certo que as raças autóctones não dispõem de efectivos em número suficiente para atingir elevados níveis de abastecimento: nos bovinos e nos suínos será entre 3 e 5 por cento da produção nacional e nos ovinos entre 10 e 15 por cento. Mas seria interessante melhorar estes números. Existem condições potenciais para que tal aconteça, mas é necessário que haja vontade e empenho de todos os interessados. Em primeiro lugar, compete às autoridades e aos governos perceberem esta realidade, estudando e implementando fórmulas que incentivem os produtores. Estes, seguramente, responderão de forma positiva e interessada. Os consumidores, optando pela utilização destes produtos, podem contribuir em muito para dar a perceber a quem governa que é indispensável o fomento das nossas raças autóctones como forma de se obterem produtos em segurança e com qualidade.
Naturalmente, temos, enquanto produtores, a noção de que não é fácil atingir níveis de produção que satisfaçam as necessidades portuguesas. Mas também sabemos que podem ser dados passos importantes nesse sentido, face às potencialidades naturais da produção em extensas áreas nas várias regiões do país. Todos teríamos a beneficiar com tal empenho, criando um verdadeiro e sólido programa de apoio à pecuária extensiva, criando e fomentando as raças autóctones portuguesas. Seguramente, os governos veriam a sua acção mais tranquilizada, os consumidores a sua vida mais calma e segura, os produtores a sua actividade mais útil e mais justificada socialmente.
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