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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Julho de 2004 às 00:00
A selecção portuguesa é um bom exemplo de como se pode aprender com os erros. E a Grécia foi uma óptima professora na primeira jornada deste Euro que já só aceitamos que termine com a vitória de Portugal.
Frente a esta Grécia onde apenas é previsível uma mudança – porque Karagounis está castigado – face à que bateu Portugal no jogo inaugural, a nossa selecção aprendeu que o exercício de deleite técnico a velocidade reduzida e com rigidez nas posições é facilmente contrariado por uma equipa com duas linhas de pressão forte e enorme espírito de entreajuda. Dessa lição constou também a necessidade dos alas irem mais vezes à linha de fundo para desequilibrar a defesa, em lugar do sempre repetido e monocórdico drible para dentro na tentativa de remate, ou centro com o pé contrário. Este movimento, repetido amiúde por Figo e Simão, frente a uma equipa como a de Rehhagel, provou-se que deixa o ala muito mais susceptível de claudicar à dupla pressão conseguida pelo apoio dos médios ao defesa-lateral. Assim quando a bola chega a Figo ou Ronaldo, com apenas um adversário pela frente, o caminho preferencial deve ser o sprint e/ou drible na busca da linha de fundo. Como aliás Figo fez de forma sublime frente à Holanda. As outras soluções de jogada nas alas em situação de um-contra-um devem ser a excepção que surpreende pela repetição da regra.
E o último capítulo da lição grega foi a demonstração prática do enorme risco que se corre em qualquer passe lateral ou diagonal executado próximo da linha de defesa de Portugal. Os gregos quando conquistam a bola nestas situações desdobram-se em velocidade como se cada sprint fosse o último das suas carreiras – este particular da equipa grega assemelha-se muito à dinâmica que José Mourinho introduziu no ataque à bola feito pelo FC Porto nos principais jogos das últimas duas épocas.
Se os jogadores não tiverem esquecido os três capítulos da lição helénica, então Portugal vai poder vibrar e erguer a taça no final do mais importante jogo da História do nosso futebol. Jogador a jogador, a selecção portuguesa é claramente mais forte. E não será o anúncio da retirada de Rui Costa, feito a destempo, que poderá condicionar esta imparável dinâmica de vitória.
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