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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Janeiro de 2004 às 00:00
Tal alteração poderia não ter pesadas consequências, como as que está a ter, se não fosse tão repentina. O que acontece agora é que a industria, que compra o arroz ao produtor e o vende à grande distribuição, tem receio de se aprovisionar e está já a baixar o preço do arroz produzido este ano para vender, previsivelmente, dentro do valor de trinta cêntimos o kg. A indústria receia que a reforma do sector a faça ficar com arroz em stock que não conseguirá escoar até Setembro de 2004 e assim está a vender arroz por um preço bastante abaixo do previsível e a grande distribuição está a tirar proveito da situação. Quando se tomou conhecimento da reforma a operar neste sector, o ministro da Agricultura prometeu que lutaria contra a especulação que então já se previa acontecer. A verdade é que o problema surgiu mais cedo do que se pensava e nada está a ser feito. Portugal é um grande consumidor de arroz, o maior da União Europeia, mas só produz metade do que consome. Portugal tem sempre de importar cerca de 50 por cento do arroz consumido, pelo que basta uma sensata gestão das importações por parte da indústria, para que se esgote o arroz de produção nacional antes da descida de preços. Para solucionar o actual problema da especulação, o Governo, e em particular os ministros da Agricultura e da Segurança Social, poderiam, tal como prometeram, integrar uma parte das 35 mil de toneladas de arroz que ainda estão nas mãos da produção, na distribuição para as ajudas aos carenciados em Portugal, visto haver um concurso para 15 mil toneladas de arroz para esse fim. Essa seria já uma grande ajuda que o Governo daria se quisesse evitar o aproveitamento que se está a fazer de uma situação desfavorável aos produtores. Se tal não for suficiente, a única solução será um pronto conhecimento das condições da intervenção, assegurando em Bruxelas uma quota suficiente para escoar toda a produção nacional.
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