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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Agosto de 2004 às 00:00
E, mesmo sem falar no seu enorme impacto económico e social, libertaram os portugueses do fado do coitadinho, da subalternidade e do lamuriar de carências miserabilistas.
Os fogos florestais de Verão e as explosões de anteontem em Leça da Palmeira mostram o reverso da medalha. São factualmente acidentes semelhantes aos que acontecem em qualquer parte do Mundo, mas nos pormenores nos dilaceram com o ferrete do atraso.
Foi ignominioso ver as televisões estrangeiras mostrarem do combate aos incêndios em Portugal uma aldeã a borrifar chamas com água de um balde e um idoso a bater nas brasas com um ramo de pinheiro.
É inacreditável que depois das aflições em Leça não sobeje nenhuma boa ideia para além do inexorável inquérito público e da inevitável confiança nas capacidades da Petrogal em cumprir as normas de segurança.
A refinaria de Leça da Palmeira não é nenhum Chernobil. É uma instalação industrial montada numa zona que já foi ideal, mas o desenvolvimento urbano tornou inquietante para os residentes nas proximidades. Nada de novo.
A Expo’98 até foi construída nos terrenos de uma antiga refinaria cuja transferência ofereceu uma forma de Lisboa crescer airosamente sobre o Tejo. É por isso altura de um Mega Ferreira, do Porto, ter uma ideia que orgulhe Portugal.
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