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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Setembro de 2003 às 00:00
No domingo passado a ansiedade contava freneticamente os minutos para a estreia da quarta edição de ‘Big Brother’ anónimos. Uma semana depois já é possível associar o ‘Efeito-BB’, que a TVI proclama em insistentes auto-promoções, às alterações que o programa/bomba já voltou a provocar na televisão em Portugal. Com ‘BB’, a estação de José Eduardo Moniz ganha novo fôlego na luta das audiências e recupera o dinamismo perdido nestes últimos meses em que andou à deriva.
Beneficiando de uma Teresa Guilherme em grande forma, também motivada pelas características eficazes dos concorrentes, este ‘BB’ tem tudo para ser o que mais se aproximará do sucesso da primeira edição: porque a sexualidade explícita é uma hipótese pouco distante, porque a possibilidade de uma virgem deixar de o ser já esteve mais longe, porque a rivalidade no feminino está também implícita, porque as ‘calinadas’ que despertam as classes mais resistentes da sociedade já correm por aí, porque a matéria-prima a explorar dentro da casa vai proporcionar momentos hilariantes no confessionário, mas sobretudo porque a TVI está a saber rentabilizar a galinha dos ovos de ouro. Senão vejamos: à terça-feira é dia de expulsões, à quinta é nomeado o líder, que no dia seguinte nomeia um dos concorrentes e ao domingo é conhecido o segundo nomeado. Factores suficientes para assustar a liderança veraneante da SIC, que acaba de estrear um ‘Ídolos’ muito juvenil e que tresanda a ‘Popstars’. E o programa apresentado por Sílvia Alberto e Pedro Granger é apenas o culminar de uma estratégia de Manuel Fonseca virada para os jovens, que deu resultados a partir de Junho, com a ‘A Minha Família é Uma Animação’ ou filmes caninos e/ou infantis.
É certo e sabido que, a esta altura do campeonato, a direcção da SIC deve andar às voltas com o caminho que terá de fazer para lá de meados deste mês. É que, dizem os números, com o regresso às aulas os hábitos mudam. Por isso, quando a rapaziada passar a ter menos tempo disponível para o consumo televisivo, vai ser grande a curiosidade para apreciar a volta que isto vai dar. A minha avó, garanto-vos, não vê o ‘Rex, Cão Polícia’… Sobra a RTP, que nesta guerra de poderosos ocupa um lugar atento e à espreita que uma escorregadela (mais provável em Carnaxide) possa dar razão e resultados a uma programação complementar, onde eventualmente se destaquem Jorge Gabriel no ‘Quem Quer ser Milionário?’ e Catarina Furtado na ‘Operação Triunfo’.
Mas tudo isto são apenas suposições, porque se Joel, Zé, Carla, Ricardo e companhia quiserem, Moniz pode reorganizar a grelha, pode ter novelas que se chamem ‘Cerejas com Noz Moscada’, pode deixar a Manuela descansar, o Goucha fazer 15%, o ‘Vidas Reais’ definhar e o que mais lhe apetecer. Porque Teresa Guilherme na vida real e Sofia Alves na ficção tratarão do resto.
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