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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Março de 2008 às 09:00
Vivemos, toda a semana, no rescaldo das manifestações dos professores. O Governo a tentar gerir o agravo e os professores sem saberem o que fazer com tão inesperado êxito. A ministra não acredita nos sindicatos e estes pagam-lhe na mesma moeda. O que significa que quando conversam, afinal, desconversam.
Apesar da vozearia, o primeiro-ministro ainda não entendeu que as maiorias não atribuem o dom da razão a ninguém. A saída às ruas dos professores e as reacções que ela desencadeou foram a prova provada de várias evidências, que durante a semana muitos trataram de mascarar.
Foram a prova de que o poder, distanciando-se dos cidadãos, se isola e, no limite, não representa ninguém senão a si próprio. De que as estratégias imediatistas e eleitoralistas manietam todas as regras de uma saudável governação. Foram a prova de que os fantasmas do pós-25 de Abril e do anticomunismo primário se recusam a sair das cabeças de muita gente, que os levará consigo para a cova.
De que os oportunismos continuam à solta e nenhum partido dispensa um bom murro no estômago de Sócrates quando este baixa a guarda ou se encontra manietado, seja qual for o pretexto. Foram a prova de que o sistema não consegue ainda neutralizar as reacções dos descontentes e as teme, embora se veja obrigado a afirmar o contrário. Foram a prova de que a rua será sempre o lugar onde as pessoas podem fazer a afirmação última da sua dignidade. Foram a prova de que a Direita continua a querer Sócrates mas tem vergonha de o confessar e disfarça mal. Foram a prova de que Sócrates só desacelera quando já se precipita no abismo.
2. As coisa estão negras no PSD. A fortaleza, mal defendida por displicência dos velhos generais, foi tomada de assalto por Menezes, que sabia que só a partir dela poderia sonhar em conquistar novas e cobiçadas praças. Instalou-se e agora não há quem o tire de lá. Acredita piamente que chegará a sua hora de felicidade. Defenderá a fortaleza com unhas e dentes, sem olhar a meios ou a métodos. Manipulando as estruturas partidárias transformadas em máquinas de guerra liquidará todos os adversários internos.
Desenganem-se os que acreditam que poderão desalojá-lo demonstrando a sua inépcia política, o seu aventureirismo e o vazio de ideias para resolver os grandes problemas do País. Não será (só) pela razão que a purificação do PSD terá sucesso. O exercício da razão só resulta junto dos que sejam capazes de a entender.
Mas a verdade é que se não vê ainda outro modo de desalojar Menezes e salvar o partido. Porque o sistema foi forjado precisamente com estas características e não se previu saída para surpresas. O combate será daqui para a frente entre a ‘inteligentsia’ do PSD e o vazio. E o show será deprimente. Porque Menezes é básico na sua estratégia e não se preocupa senão com o reforço das muralhas da fortaleza onde se barricou. É essa a sua grande missão. Sabe que sem a máquina de que se apoderou será um eterno sem-abrigo político. Não está preparado para governar nem isso o preocupa e não é por humildade política que o confessa.
É por isso ser, para ele, absolutamente secundário. As suas preocupações são bem mais comezinhas. E, depois, nem Durão nem Santana o estavam também. Et pourtant...
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