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Correio da Manhã

Opinião
8
30 de Agosto de 2004 às 00:00
Campeão do mundo, capitão da selecção brasileira, 30 anos, Nalbert foi para o quadrado de espera dos suplentes, porque assim mandou o treinador Bernardo Rezende. De lá, gritava incentivos para a quadra. Barbicha rala, cabeça rapada, era o farol que juntava a equipa nos minutos técnicos pedidos pelos treinadores. Criticava esta jogada, aplaudia outra, era ouvido como um companheiro (belíssima palavra que quer dizer aquele que partilha o nosso pão). Nos intervalos entre sets, treinava os suplentes, bloqueando os remates, obrigando-os a defender violentas boladas. No fim do jogo, Nalbert, o dos dois segundos em jogo, tinha a camisola 12 molhada. Pôs-se aos saltos como se fosse um campeão. Por uma razão maior: ele é um campeão.
Perto dele, naquela 1h35m sublime de técnica e beleza, participaram também três garotas de limpeza. Estavam sentadas no enfiamento da rede, frente ao árbitro do palanque. Entre cada bolar, elas corriam com um pano, limpando o sintético que ficava húmido pelo cair de um jogador suado. Atentas, disponíveis, alegres (elas, que não tinham nada a ganhar, excepto a alegria de ali estar, cumprindo a moral de Coubertin: o importante é participar), aquelas três garotas anónimas valem o pedreiro anónimo que ajudou a talhar a Acrópole que como trono dos deuses reinou sobre estes Jogos Olímpicos.
O brasileiro Nalbert e as três garotas têm um ponto comum: Atenas 2004 não se fazia sem eles. Porque nada se faz sem homens (e garotas) de boa vontade.
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