Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
8
23 de Setembro de 2002 às 21:37
Apesar de ser reconhecido no mundo desenvolvido como uma alavanca fundamental do progresso social, económico e cultural, e como tal apoiado, o Ensino Superior está a ser tratado no nosso País como uma despesa supérflua que importa reduzir, sem olhar a custos para o futuro do país.

De facto, agora que Portugal está envolvido na construção do "Espaço Europeu de Ensino Superior", cumprindo a Declaração de Bolonha (oportunidade a não perder para aumentar a qualidade e a relevância social do nosso Ensino Superior, de acordo com critérios internacionais) prevê o Governo reduzir o investimento e os orçamentos de universidades e politécnicos para níveis que lhes tolheriam o desenvolvimento e não lhes permitiriam mais do que 9 meses de funcionamento digno, em 2003. As instituições de ensino superior público entraram em 2002 com orçamentos de sobrevivência e por isso poderão não garantir o seu funcionamento até final do ano, por não lhes ter ainda sido entregue o montante dos acréscimos salariais que já pagaram ao seu pessoal.

Cortar 4 a 5%, para 2003, nestes orçamentos de mera subsistência, é pôr em grave risco a qualidade do ensino e da investigação que tem sido preservada à custa da racionalização e da compressão de despesas (os efectivos de pessoal são inferiores aos valores fixados pelo Ministério e muitos docentes já leccionam mais horas do que os limites legais) e impedir o urgente combate ao insucesso escolar.

É preciso que o Governo entenda isto.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)