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Correio da Manhã

Opinião
8
3 de Junho de 2011 às 00:30

Em relação a 2009, o PSD vai subir mais ou menos seis pontos, praticamente o mesmo que o PS vai perder.

O CDS sobe, o BE desce e a CDU mantém ou sobe ligeiramente. Nesta campanha eleitoral, tivemos pela primeira vez um primeiro-ministro demissionário que se reapresentou ao eleitorado. Paralelamente, o PSD apresentou um candidato com a vantagem de não estar politicamente desgastado e a desvantagem de não apresentar currículo governativo. Entre ódios e amores e entre experiência e saberes, os eleitores viram-se confrontados numa repetição da tragédia grega, entre o pathos e o logos, entre a emoção gerada pela simpatia por um jovem embora sem experiência e a razão que apoia um líder experiente, mas mal amado por muitos.

Numa leitura bíblica, os resultados destas eleições poderiam explicar--se pela vitória do desejo de vingança sobre o bode expiatório dos males da crise, desejo que se sobrepôs ao medo do desconhecido, ao medo de passar o Bojador. E neste jogo entre a emoção e a razão, animado pela turbulência da crise de que muitos ainda só suspeitam, instalou-se uma outra perturbação, gerada por uma espiral de silêncio que esconde algumas preferências pelo PS, submersas pela onda "anti-Sócrates", mas que, submergindo, ou não, podem, até ao momento do voto, diminuir ou ampliar a distância entre PS e PSD.

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