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Correio da Manhã

Opinião
9
21 de Maio de 2011 às 00:30

O primeiro erro foi o da proclamação da meta da maioria absoluta, por muito que tenha estado perto de a obter por altura do pedido de demissão do primeiro-ministro;

O segundo erro, derivado do primeiro, foi não ter formalizado uma coligação eleitoral com o CDS, recorrendo inclusive a listas conjuntas;

O terceiro cristalizou--se no ‘espírito de Viradeira’ que se apossou dos seus mais recentes, ou recuados, ideólogos, e dos diferentes grupos programáticos. Esse espírito de Viradeira embriagou-se com o receituário do ‘Memorando de Entendimento’, e quis mesmo aumentar as doses prescritas, cujos efeitos são mais da ordem do castigo de que das razões da cura;

O quarto erro foi cometido na apresentação do programa, tornando-o mais radical, mais neoliberal, e até mais feroz do que o proposto pela troika;

O quinto erro foi uma consequência do protagonismo à solta de Eduardo Catroga que se sentiu rejuvenescer com tantas contas a ajustar, inclusive dentro do cavaquismo. Esse protagonismo estoirou em directo com o outrora bom negociador do OE de 2011;

O sexto erro deveu-se à proliferação de grupos programáticos, sempre dispostos a acrescentar um ponto original, quantas vezes assustador para o próprio eleitorado social-democrata;

Os outros erros praticou-os Passos Coelho individualmente.

Assim os debates televisivos não lhe correram particularmente bem, e acabaram por ser oportunidades perdidas.

O espírito de Viradeira também se apossou dele quando se queimou n ataque ao programa das ‘Novas Oportunidades’, que se dirige a públicos distintos e largos, recolheu a adesão de mais de um milhão de participantes e não merece um juízo sumário, a não ser por preconceito social e ideológico, mais uma vez. Com a agravante de se poder sempre fazer uma avaliação da iniciativa sem entregar, de mão beijada, um corpo de exército ao adversário… Este erro resume os demais pois revela que, neste PSD, o preconceito ideológico retrógrado tem até mais força do que a lógica eleitoral.

Ainda é prematuro proceder à contabilidade dos votos perdidos pelo PSD com os seus erros. Mas já ninguém aposta na maioria absoluta. E se Passos Coelho voltar a falar dela, comete outro erro…

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